sábado, 2 de abril de 2011

Compositor de destinos.

Desenterrando escritos da gaveta de cartas não-enviadas que encontrei esta (meia-carta), datada de julho de 2009.


- E você, o que acha do Tempo?

- Sim, está frio. Mas me refiro àquela quarta dimensão, que antes parecia existir somente para os estudos da física. Explico:

O fato é que hoje acordei e escutei algo atrás de minha porta. Foi quando notei a sutil presença dele ali, me espiando. E quando viu que havia sido descoberto, riu. O Tempo riu de cara lavada e com um ar cínico.

Você teria medo se um dia estivesse de cara com o Tempo? Porque acho que a maioria das pessoas o confunde com os anos e o teme pelas rugas e cabelos grisalhos que demonstram a idade. Pois eu te digo que o encarei e vi coisa muito maior! Como se, até então, estivesse esperando ansiosamente por ele ou alguma outra entidade – qualquer! A fé existia, só não se sabia em que? - que me trouxesse você. Existiu um momento em que, de tão perto, conseguia distinguir o seu perfume, mas nele, exatamente nesse momento, veio o Tempo e misturou todas as peças, puxou o tapete, deixou(-nos) sem chão. Esperava sentir raiva, esmurrar, gritar contra aquela Criatura os mais baixos palavrões, só que antes - como sempre ágil - a Criatura sorriu. Imagine: o Tempo com um sorriso confortante no rosto e eu parada, perdida, todavia calma.


Hoje o tempo já é um velho amigo: a calma é inevitável quando na sua presença. Tenho fé na Criatura e canto junto com Caetano: 'Tempo, tempo, tempo, compositor de destinos'.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

E por falar em saudade

Saudade é um sentimento que intriga. Diferente das outras coisas que sentimos, nunca se sabe se ela será recebida com sorrisos no rosto. Quase nunca.

Mas quando me perguntaram o que sinto por você, foi essa a palavra que, com um brilho nos olhos, eu escolhi sem me hesitar.

Com o mesmo brilho, passei a semana (re)lendo as palavras com que você me presenteou e (re)escutando as muitas músicas que você marcou em meu ouvido. Naquele tempo, amar era tranquilo: os lábios sentiam as cócegas! "Pequenos paraísos-perdidos" e, ainda assim, insistem em sorrir.

Sau-da-de - s.f. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir.

Me parece que éramos tão grandes, que expandimos os limites do significado da palavra no dicionário. Não há melancolia, não há o desejo de se voltar ou possuir novamente. Existem apenas as lembranças doces, que nos acolhem em um abraço e preenchem esse vazio. Que (ainda) ficou.