sábado, 26 de dezembro de 2009

"Porque fizeste anos..."

(26 DEZ 09) Faz pouco tempo que o relógio marcou meia-noite e deu-se a virada do dia. Acho engraçada essa convenção de que a partir dali é 26 de dezembro. Aliás, todas as convenções de tempo – dias, horas, meses, anos – são engraçadas: no final, temos que nos contentar com o “agora” mesmo! E agora mesmo, quando o relógio marcou meia-noite, estava eu a olhar para o céu e me veio a vontade de te ligar. Assim, não só porque é o seu aniversário, minha intenção não é gastar o interurbano para ouvir um “obrigada” a cada “parabéns” ou a cada coisa boa que costumam desejar neste dia. Comemorar a sua existência eu comemoro a cada vez que você faz meu dia valer a pena e, por isso talvez, já te desejo tudo de melhor sempre. Hoje eu iria te ligar e, depois que você dissesse “alô” com o seu accent, eu iria querer saber se você podia ver a lua. Porque agora a pouco, quando olhei para o céu de BH, o tempo não estava bom, nuvens e nenhuma estrela. Daí fiquei preocupada de não haver lua em seu céu no dia de hoje. Foi então que pensei em pegar o telefone, mas pensei também que, se o fizesse, teríamos que nos contentar mais uma vez com o “agora” da minha ligação. Por isso, bolei este plano de fazer com que esse momento - e tudo que eu pretendia dizer com ele – permanecesse em algum lugar, pelo menos dessa vez: aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Palavra Dois.

Sua incontestável mania de transformar tudo nesse emaranhado de letras. Não percebe que as coisas são mais bonitas quando existe um espaço entre as pessoas em que se pode ver o ar que carrega, o olhar que diz e o gosto que sente? É ai que se enxerga o compromisso. Frases unem as pessoas, mas no final se rompem e viram palavras soltas que vagam pela cabeça de quem nelas se sustentou.

Palavra Um.

Me exigem palavras. Nenhuma me vem a cabeça. Aliás, nenhuma que se difere daquelas ditas inicialmente que entraram ferindo seus ouvidos. Pois é isso que parece: Eles se recusam a escutar. E exigem sempre mais e mais, como quem não se importa de vencer por insistência e não se cansa até ouvir um Sim. Um Sim que soa como um beijo e cura sua surdez circunstancial.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ponto final.

Você deitada nua e macia sobre mim na cama improvisada em meio a sala. O silêncio permanecia quieto, a não ser pelos olhares trocados, deliciados pelo sabor nostalgia. Algo semelhante a um sorvete de casquinha: Doce, porém, se derreteria até o final da próxima música e, então, só restaria em nossas bocas o gosto amargo de um amor que um dia existiu.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Untitled.

Papel, caneta e nenhuma palavra. Talvez porque o que eu quisesse dizer só fluiria naturalmente se fosse escrito em você. Seja com os meus olhos que dessa vez não se desviariam, com a minha boca que hoje não resistiria a sua ou, se fosse preciso, soletraria cada palavra no seu ouvido com meus dedos entrelaçados em seu cabelo. E assim, elas não seriam só palavras em uma folha em branco guardada no fundo de sua gaveta.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Rabiscos de Abril.

Seus olhos na capa.
Rabiscos de lápis preto que refletem todas as cores.

Algo tão bonito e raro,
Que eu admiro e me esqueço
(Ou evito)
Abrir o livro.

quinta-feira, 19 de março de 2009

E alguém já deve ter falado que tem coisas que não precisam ser ditas. Mas já se foram tantas as vezes que eu queria ter dito algo que, toda vez que me despeço de você, te dou um beijo prolongado para ter a certeza de que você me entendeu. Imagino que você nunca tenha notado isso ou, se notado, nunca soube o verdadeiro motivo. Mas pra mim, ali, naquele instante, reafirmo tudo que te disse silenciosamente durante todo o dia. E prefiro que seja assim. Não pretendo escrever o que não é preciso. Só queria que você tivesse um pouquinho da minha caneta verde desenhando a letra Bonita-Que-Não-Se-Entende para você ler, sentir o gosto de Piňa Cola e se lembrar do que você escutou também em silencio.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Um Janeiro.

(JAN 09) Acordei e o dia tinha um cheiro bom, diferente que me tirou da cama, me colocou aquele biquíni e se sentou comigo na areia. Ficamos ali calados: eu e o cheiro sentindo a chuva fina cair e o gosto do meu açaí matinal. O silencio foi quebrado quando me lembrei daquela sua teoria do céu e do mar, do sol e da lua. Ri. Não pela teoria. Ri porque percebi que aquele cheiro é o que eu imagino ser seu.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A Bolsa.

Comecei por aquela dos Beatles. Dez dólares num shopping de Burlington. A outra veio um ano depois. O que me chamou atenção? “So Brazilian”. Mas o que eu gosto mesmo em uma bolsa é a sua utilidade. Quer conhecer uma pessoa, pergunte o que ela carrega consigo. Chaveiro de tartaruga com as chaves de casa; Minha carteira amarela; Minha agenda/calendário; Meu iPod; Meu caderno vermelho sem pautas; Minha bolsinha de canetas corroída por acido; Minha caneta verde; Meus óculos; Bloquinho de marcadores; E, atualmente, um livro da Cecília. Além das coisas materiais, tem aquela foto imaginária do dia em que dividi o cachecol verde com um amor; A lembrança de um dia de muito frio em cima do lago, com amigos que me fazem falta; O último olhar de uma pessoa que deixei pra trás; O cansaço e os risos no final daquele dia “coolt”; Alguns sonhos... Por isso o cuidado com a bolsa. Tudo de especial, eu levo lá dentro.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Para um Primo.

Lembro de uma vez que fui com você ao Otorrino. Não me lembro muito bem o motivo da consulta, acho que você escutava a televisão no último volume e estávamos la: Eu, você e seu pai no consultório. O medico analisou o seu ouvido, pediu pra que se sentasse e logo depois para que eu saísse da sala. Foi uma situação tensa. Minha mente de criança não conseguia imaginar outro motivo para o medico agir daquele jeito: era algo serio. Fiquei ali fora esperando que a porta se abrisse. Foram poucos minutos, mas minha preocupação fez com que eles fossem longos. Ate hoje não sei o que foi dito aquele dia. Só sei que não era grave e; Eu já te amava.
(JUL 08) Confesso. Enquanto você esteve longe, dormi com o seu Porquinho. Abraçada a ele tenho a sensação de estar do seu lado, afinal só ele sabe por que aquela noite você não dormiu, porque naquela outra você estava chorando e foi pra ele que você contou o que te aconteceu nos últimos anos que te deixou feliz. Só ele sabe o que você pensa, quem você realmente é. E pensando nisso outra noite, não resisti a perguntar ao Porquinho se você me ama. Ele ficou calado, continuou com aquele mesmo sorriso, pegou o lençol e cobriu meu ouvido.